segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

RESUMO DO LIVRO PEDAGOGIA DA AUTONOMIA DE PAULO FREIRE

RESUMO DO LIVRO  PEDAGOGIA DA AUTONOMIA DE PAULO FREIRE



Segundo Freire (1996) a formação docente deve ser pautada em  reflexão sobre a prática educativa em favor da autonomia do ser do educando. Para ele formar não é puramente treinar o educando no desempenho de suas destrezas é ser ético sem discursos vazios, sem discriminação de raça, de gênero, de classe seja qual for o público alvo. Se relacionar bem com os educandos, não transmitir inverdades e ser justo quando concordar ou discordar de determinados autores ou acontecimentos, não distorcer fatos ou acontecimentos. “O preparo científico do professor ou da professora deve coincidir com sua retidão ética” (FREIRE, 1996, p.18). Não se pode permitir de modo algum que o nosso mal-estar pessoal nos faça descumprir nossas obrigações, precisamos ser sujeitos éticos. Não há docência sem discencia.
“A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo” (FREIRE, 1996, p.24). Para a teoria não virar blábláblá e a prática, ativismo se faz necessário uma reflexão crítica de ambas. A discussão prática educativa-crítica ou progressista devem ser conteúdos obrigatórios na formação docente e o docente desde o início de sua formação deve-se assumir como sujeito da produção do saber e que ensinar não é apenas transferir conhecimento, mas sim produzir e construí-lo.
O professor (formador) não é objeto de formação e “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”  (FREIRE, 1996, p.25). Ensinar inexiste sem aprender. Se não existir aprendizagem não houve o ensino.  O aprendiz não será capaz de recriar ou refazer o que foi ensinado. “O ensinado que não foi aprendido não pode ser realmente aprendido pelo aprendiz” (FREIRE, 1996, p. 26).
Quando é autentica a prática de ensinar-aprender o sujeito participa de uma experiência total. O processo de ensinar-aprender, aprender-ensinar pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente que pode torná-lo mais e mais criador e desenvolver o chamado “curiosidade epistemológica” o que leva ao conhecimento cabal do objeto.
Freire (1996) salienta sua crítica e recusa ao ensino bancário em que o educando é submetido a receber transferência de conhecimento do conteúdo, pois deforma a criatividade do educando e do educador, por causa do processo de ensino-aprendizagem. Ele afirma que aprender criticamente é possível, mas isso implica ou exige a presença de educadores e educandos criadores, instigadores, inquieto, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Acontecendo a verdadeira aprendizagem, o objeto ensinado é aprendido na sua razão de ser e aprendido pelos educandos.
Ensinar exige pesquisar não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Pesquisa-se para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquisa-se para conhecer o que não se conhece e comunicar ou anunciar a novidade respeitando os saberes dos educandos.
Ensinar exige estética e ética porque “a prática educativa tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência e de pureza”. “Educar é substantivamente formar” (FREIRE, 1996, p. 36-37).  Quem educa, educa com exemplos.
“O que importa, na formação docente, não é a repetição mecânica do gesto, este ou aquele, mas a compreensão do valor dos sentimentos, das emoções, do desejo, da insegurança a ser superada pela segurança, do medo que, ao ser “educado”, vai gerando a coragem”. (FREIRE, 1996, p. 50 – 51).
Para Freire (1996) quando se entra na sala de aula é preciso ser crítico e inquiridor, inquieto porque ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção. Somos seres inconclusos inacabados, por isso não é possível estar no mundo sem fazer história, cultura, sem sonhar, cantar, cuidar da terra, das águas, ser filósofos.  É por sermos inconclusos a educação é um processo permanente.  O professor ético não ridiculariza o aluno, nem afoga sua liberdade, dialogo para que aprendam e cresçam na diferença, com respeito, coerentemente, pois por sermos seres inacabados devemos respeito à autonomia e a identidade do educando preservando assim a nossa.
De acordo com Freire (1996) exercer a autoridade de professor na classe é fundamental, tomar decisões, orientar atividades, estabelecer tarefas, cobrar a produção individual e coletiva do grupo não é autoritarismo é o cumprimento do dever. Ser ético é procurar ser coerente não subestimar o educando, dando sermões, ou correções em público. Dialogar sempre é o melhor caminho e isso deve ser feito. Conhecer melhor o aluno respeitar seus conhecimentos e experiências pessoais não zombar do saber que ele traz para a escola. Ser rigoroso na prática de conhecer, ter criticidade, isso, nos torna autônomos e sendo autônomos possibilitamos a autonomia dos educandos.
Segundo Freire (1996) o professor com qualidades negativas ou positivas sempre deixa marcas no aluno. O professor tem o dever de dar suas aulas, de realizar sua tarefa docente, mas, para isso, é preciso de um ambiente adequado com boas condições espaciais e higiênicas. Sem falar em condições salariais justas e dignas com salários menos imorais. As questões burocráticas de desrespeito ao salário do professor não pode ser desculpa para desamá-la ou aos educandos. Não se pode exercê-la mal, é preciso luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores.
Freire (1996) aponta que o professor precisa conhecer as diferentes dimensões que caracterizam a essência da prática, porque aprender é uma aventura criadora, muito mais do que repetição de lição dada, aprender “é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e a aventura de espírito”... “A  educação humana é gnosiológica, é diretiva, por isso política, é artística e moral, serve-se de meios, técnicas, envolve frustrações, medos, desejos”(FREIRE, 1996,  p.77 - 78).
O professor deve assumir suas convicções, suas limitações a fim de superá-las. Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra. Não haveria existência humana sem abertura de nosso ser ao mundo, sem a transitividade de nossa consciência.
Ensinar exige uma série de competências. E a incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor. “O clima de respeito que nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas, em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente, autentica o caráter formador do espaço pedagógico” (FREIRE, 1996, p. 103).
Em relação à autonomia Freire (1996) afirma que ”A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É nesse sentido que a uma pedagogia da autonomia da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade” (FREIRE, 1996, p. 121).
Ensinar não é transferir conteúdo a ninguém, assim como aprender não é memorizar o perfil do conteúdo transferido do discurso vertical do professor. O professor progressista não ensina apenas a sua disciplina, ele ajuda o aluno a reconhecer-se como arquiteto de sua própria prática cognoscitiva.


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